THE LAST FREE MAN… NOT ANYMORE…

THE LAST FREE MAN… NOT ANYMORE…

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Dries Van Noten, era quase o “Último Samurai” da moda… podemos estar a exagerar qualquer coisa, mas dramatismos à parte, a verdade é que era um dos últimos nomes selvagens, independentes, solteiros nas suas obrigações comerciais, no ramos de marcas de luxo. Era lindo ver e esperar por cada desfile, na procura de ver os mix de estampas mais incríveis e os tecidos ricos desenvolvidos e criados a rigor da criatividade. A maior parte das vezes havia surpresas positivas. Mas dar um tiro mais ao lado e outro mais ao centro faz parte do lindo e livre processo criativo que nos abre portas ao realmente novo e espetacular. Nem sempre as suas criações foram bem recebidas pela crítica, nem sempre foram bem recebidas pelos clientes. E nem sempre imprensa e clientes convergiam na opinião. Mas a confiar no documentário “Dries” na Netflix , o designer sabia que todas as experiências, criticas, e roupas menos vendidas fizeram parte do processo.

De repente dou-me conta de que estou quase a escrever o obituário do designer de Antuérpia, que ainda nos faz sonhar nos tempos que correm, nos surpreende com as suas misturas sem igual, e a falta de vergonha de acreditar em si mesmo.

Mas o que sentir quando lemos ANTWERP, Belgium — Dries Van Noten, one of the last independent luxury fashion houses, has sold a majority stake to Spanish group Puig.” no site BOF? (notícia na integra aqui.). Não quero ser a nuvem negra, mas sabemos que por mais amistosos e prudentes que sejam os acordos, e a confiança no processo criativo do designer, a hora da verdade é a dos números, e quando se passa a ser sócio minoritário, a probabilidade de deixar a própria marca que carrega o seu nome, está sempre em cima da mesa. O que me deixa realmente triste. Não quero chorar antes do tempo, e sei que há sempre razões que a razão desconhece para se tomarem certas decisões. É cada vez mais difícil sobreviver sozinho e muitas razões poderão estar inerentes, mas a primeira palavra que me assalta é pena, e os meus lábios tendem a descair de descontentamento… confesso!

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Looks Outono Inverno 2018, Dries Van Noten

A semana de Moda de Paris é uma ode sem fim a casas de tradição e luxo, agora todas pertencentes a grandes grupos, e Dries Van Noten, no meio de todo esse burburinho esmagador e gigantesco era sempre um dos desfiles mais aguardados, independentemente da sua independência. Ou talvez por isso mesmo: a sua independência. No entanto Sarah Mower já se mostrou pouco feliz com a última coleção (Outono Inverno 2018) na cobertura para Vogue Runway. A jornalista cobrou do designer precisamente essa liberdade de criar, sublinhando que esperava essa ousadia, a falta do novo na etiqueta. Precisamente agora que já não é um “outsider”, que conquistou os seus fieis seguidores que estarão sempre lá, onde quer que seja. Apesar de já não ser a primeira crítica menos favorável, seria já esta coleção uma premonição do que estava para vir?… Estaremos preparados para mais uma etiqueta que cai na segurança, que esquece o frescor do novo, e de se deixar viajar?…

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Look Outono Inverno 2018, Dries Van Noten

 

As perguntas e expectativas levantam-se, como sempre que isto acontece. Mas pelos vistos, Dries era o último…

Salve-nos a esperança de que aconteça o mesmo que com Carolina Herrera, também detida pelo mesmo grupo. A designer apenas abandonou este ano a direção da marca de seu nome, (aparentemente) por decisão própria e vontade, passando a ser embaixadora global da marca, deixando no seu lugar um substituto bem preparado e (aparentemente) por ela escolhido (Wes Gordon). Assim seja. amen!

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