SÍLVIA MONTEIRO (DESIGNER ISLA) NA PRIMEIRA PESSOA

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Tomaz Gonzaga, 469, Sala 6, Bairro de Lourdes, Belo Horizonte.

O endereço que me levou a uma das minhas experiências de moda mais interessantes no Brasil!

 

Isla, como já disse algures por este blog, é nome de joias de trazer pela mão, disfarçadas de bolsas! Este nome que nasceu oficialmente em 2008 é uma presença constante nas revistas de moda brasileiras, é escolha top pelas celebs do país, e a última grande red carpet por onde desfilou foi Cannes! Ficaram curiosos para saber mais?… Eu também! Por isso convidei Silvia Monteiro, a designer criadora destas belezas, e da marca, para nos contar mais. Sílvia aceitou o desafio: abriu-nos as portas do Showroom ISLA, e um pouco do seu mundo numa conversa animada e informal.

 

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HiimaB (HB) -Teve formação em arquitetura e outras áreas… mas a veia criativa podia tê-la levado por outros caminhos na área da moda. Por isso a minha primeira curiosidade é: porquê bolsas?

Sílvia Monteiro (SM) – O meu caminho com bolsas foi uma coisa bem natural. Desde nova que eu sabia que eu ia seguir um caminho que envolvesse estética, só não sabia se era na arte, se era em moda, se era em arquitetura… me vieram muitas dúvidas, principalmente quando eu fui prestar vestibular. Então quando eu comecei a fazer arquitetura, eu continuei com dúvidas. Principalmente porque no curso inicialmente vem aquele ciclo básico que é um pouco vago. Eu tive a opção naquele momento também de cursar numa outra faculdade e fui fazer publicidade, que também está relacionado com esse universo. No decorrer do curso, eu fui vendo que realmente era um curso que me fascinava, mas que eu não queria trabalhar naquela área, especificamente. Então eu dei continuidade ao curso de arquitetura, mas me formei primeiro em publicidade. Quando eu me formei, eu tive ainda mais certezas que não queria mexer com arquitetura, mas sabia também que atuar em agência, no mercado em si… ainda não era aquilo! Eu busco muito uma coisa que me dê prazer. Acho que não conseguiria trabalhar com uma coisa que não fosse para mim também uma fonte de prazer, à qual eu não me conseguisse dedicar por completo. Então eu acabei cursando um outro curso na mesma faculdade e me formei em administração. E aí eu abandonei o curso de arquitetura.  Quando me formei em publicidade, tive a oportunidade de ir fazer um mochilão pela Europa, e quando  retornei eu tinha um grande amigo que por um momento da vida dele  estava trabalhando com bolsas! Ele era um homem que não tinha muito gosto para a moda, e ele estava precisando de uma pessoa para o ajudar no estilo! E não sei… essas coisas meio de destino, ele me convidou para ajudá-lo. E fui! Também não tinha um projeto muito definido daquilo que eu queria fazer… e foi uma coisa super natural… Comecei a trabalhar com ele, e me identifiquei por completo com a atividade. Tive conhecimento do processo como um todo. Eu trabalhei com ele um ano, ano e meio, e num determinado momento eu vi que o negócio dele era outro. E vi também que eu gostava muito daquilo que fazia! Mas o modelo de negócio dele era uma coisa que queria vender volume, era produção em série, e não dava muito para usar dessa questão de criatividade, que era uma coisa mais minha.

 

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Eu precisei sair porque eu estava já formando na minha outra faculdade, e estava casando ao mesmo tempo, e acabei por ir cuidar das minhas coisas particulares. Como eu sou muito ativa também não consegui abandonar por completo uma coisa que eu estava gostando muito, que era trabalhar com bolsa. Então fui fazer uma coisa bastante inversa do que eu fazia, e fiz uma coleçãozinha muito pequenininha, de peças mais sofisticadas, para trabalhar com um público AA. Conciliei as questões pessoais com esse projeto. E aí as minhas primeiras amigas que viram se encantaram e foi uma coisa natural. Daí a seis meses já tinha marca. Uma das minhas primeiras compradoras foi uma marca de S Paulo e não tinha como entregar as bolsas sem nota fiscal, então tive que constituir empresa . E a coisa foi acontecendo. Primeiro me associei a uma marca de sapatos, a Polignano a Mare. Elas eram bem focadas em festa, e a gente fez uma parceria: elas trabalhavam com os sapatos e eu com as bolsas. A gente ficou duas coleções juntas, elas venderam a marca, e a pessoa que comprou mudou um pouco o caminho. Então o estilo dela já não batia com o meu, e tive que seguir carreira a solo. E aí fui sozinha… Tive uma aceitação super boa, já na primeira coleção que eu expus para atacado a gente uma teve uma procura bacana, e a cada coleção a gente apresentava mais modelos, abriu a novos cliente, e em paralelo a gente mantinha um showroom. Que a principio eu trabalhava aqui. Mas a coisa foi crescendo, e a gente foi recebendo muita visita, e então esse espaço  acabou ficando restrito. Acabei me deslocando para um escritório onde funciona toda a parte operacional. A gente não produz, a gente só desenvolve nesse local. A gente terceiriza toda a produção. Hoje em dia a gente produz fora uma boa parte da coleção, importa matéria prima… E aqui acabou virando uma loja.

 

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HB – Quantos exemplares há de cada bolsa?

SM – Depende muito. Como a gente produz sob encomenda para os clientes, então depende da coleção, se eles investem num determinado modelo, ou noutro. A gente trabalha um pouquinho além dos pedidos, porque a gente já programa a reposição de cada um daqueles modelos, até para haver uma entrega imediata para o cliente repor durante a coleção. Embora sejam artigos que na maioria das vezes sejam atemporais, mais voltados para festa – e mesmo  que mais casual ainda assim não é uma modinha fast fashion – mesmo assim, a gente muda muito a coleção. No Verão a gente coloca as tendências do verão. Principalmente porque a gente trabalha com boutiques de roupa de festa, e a roupa de festa no Brasil tem essa conotação de coleção! Está-se usando um Pink, então as roupas têm Pink! Automaticamente as nossas bolsas têm que acompanhar essas roupas para poder fazer a combinação. E isso potencializa muito as vendas.

 

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HB-Que é uma das minhas próximas perguntas: Qual é o maior desafio em cada coleção ao conseguir criar novidades numa peça que é atemporal, que levamos conosco para usar durante uma vida e passar de geração em geração?

 SM – É uma proposta nossa, a atemporalidade do produto. Mas é também importante que tenha muito essa questão do desejo. E o desejo tem a tendência. Você tem que pensar que é uma coisa que desperta desejos, tem que pensar que valeu o investimento, vai ser além de uma festa, você vai querer passar para uma filha um dia – não é um produto descartável, porque é um produto de alto valor agregado – e além de tudo tem que ser uma coisa comercial! Você tem que unir isso tudo. É um desafio a cada coleção. Embora a gente tenha vários modelos que conseguem se manter em coleção… Tenho uma peça que está com a gente desde a primeira coleção. Vamos mudando uma coisinha, mas já se tornou um clássico, e as pessoas já reconhecem, o que é interessante. Há também algumas edições limitadas, com tecidos mais antigos, peças mais exclusivas e que têm limites. Mas a busca pelo novo é sempre constante.  A  ISLA também não se resume a clutchs. Na próxima coleção de Verão você vai ver uns carteirões bem bonitos, uma linha mais resort… A gente sempre busca novidade dentro dessa linha de produto. Eu busco muito, viajo muito, e penso que o produto não tem que ser um produto com cara de Brasil, ou com cara de nenhum outro lugar! Tem que ser um produto de uma mulher que gosta de viajar e que vai sentir que está usando algo diferente. Que vai despertar a atenção de onde que ela esteja. É produto que não tem uma barreira física. Se ela gosta daquilo, ela pode usar no mundo todo!

 

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HB -É esse o perfil da mulher que usa ISLA?

SM – Eu acho que sim, uma mulher mais globalizada. Quando eu estou escolhendo materiais, estou criando, eu busco trazer para a pessoa uma certa identidade. Quando uma pessoa gosta daquilo, principalmente porque vai usar durante algum tempo, tem que ser uma coisa que desperta ela mesma. Que combina com ela… não é uma coisa igual, generalizada… é uma peça de personalidade! É claro que você tem que agradar a um maior número de clientes, mas uma mulher ISLA, seria mais… sabe uma mulher que gosta de uma bolsa não importa se ela está nova ou velha?… Que tem bom gosto, sabe do que ela gosta… que não tem nada de “normalzinho”! Com personalidade! Penso muito nisso. Penso que você vai usá-la daqui a cinco anos… É uma coisa que você não vai querer se desfazer. Vai sempre ter um dia que vai querer usar de novo.

 

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HB – Silvia, nós já estamos acostumados a ver aqui no Brasil a ISLA na Vogue, na Elle, nas revistas da especialidade, nas mãos das celebridades em eventos… mas quando a ISLA chega uma das Red Carpet mais famosas do mundo como Cannes… qual é a sensação?

SM – Ai, é a sensação do reconhecimento que é muito legal, porque afinal de contas não é fácil! Não é uma coisa pontual, é um reconhecimento de um processo, que não é fácil, que acho tem a sua hora para acontecer! É uma marca nova? É, mas eu já tenho um chão… Eu já tenho uma estrada que a gente percorreu para chegar aqui e acho que as coisas acontecem sempre na hora certa. Porque de outra forma a marca talvez não tivesse amadurecido, talvez não tivesse preparada… eu acho que tudo vem a seu tempo. Eu acredito muito nisso. E eu fico muito feliz!

 

HB – É orguho?

SM – É orgulho, e fico mais feliz pela pessoa que está usando… não sei, é um misto de orgulho com satisfação! É muito gostoso! E também vem a questão da responsabilidade! É preciso continuar todo esse processo de uma forma diferente para que se continue estando ali. Cresce o sucesso, cresce a responsabilidade.  Porque a gente quer manter isso tudo, e almeja outras coisas, e então não adianta, é só o trabalho que traz essas coisas.

 

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HB – E quem é a Sílvia? Fale-nos um bocadinho da mulher que está por trás desse processo criativo?

SM -É difícil a gente falar da gente, não é?…

HB – Não precisa de desvendar tudo (risos) Mas penso que é preciso algumas características para estar por detrás da marca e do sucesso…

SM -É difícil e é fácil, porque quando você vê a marca em si, a marca sou muito eu, é uma filha que eu tenho que demanda 24 horas do meu dia. Não que eu não consiga conciliar – inicilamente foi mais difícil – a questão da família. Hoje em dia é mais fácil: a gente se educa que a realização não vem só do profissional, tem que ponderar os dois e fazer com que cresçam juntos. Mas sou uma workaholic! Adoro! Você não pergunta quantas horas eu trabalho, mas quantas eu durmo!… desde a hora que eu acordo, até à hora que eu durmo, eu estou trabalhando. Não que esteja sempre na atividade, sempre colando peças em bolsas, cristais… mas eu estou ligada o tempo inteiro no meu trabalho! Talvez porque é uma mistura do que eu mais gosto de fazer… é difícil separar! Então eu estou no instagram pesquisando alguma cosia, eu estou nas minhas revistas que são milhões – não consigo me desvincular, essas coisas digitais têm limites, eu gosto mesmo é da folhinha da revista!… Então eu estou sempre ligada! Sempre, sempre ligada.

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HB – Os protótipos são feitos por você?

SM – Sou eu que faço. Eu tenho pessoas que me ajudam. Hoje é bem mais tranquilo, no inicio era mais difícil, porque até a gente ter bons fornecedores, parceiros,  como a gente tem hoje, a criatividade e a criação era uma via de mão única! Hoje é de mão dupla! Às vezes eles próprios sugerem algumas coisas… vai havendo uma troca, e acrescentam muito!

 

Eu estou com algumas peças prontas de inverno (2014), mas são peças que a gente não conseguiu inserir a tempo na coleção de verão, então automaticamente vai passar uma coleção em que elas vão ficar… Difícil é haver um timing certo para as coisas. Hoje em dia a velocidade é enorme! A moda é muito rápida! O negócio em si, não dá para você ficar viajando muito numa ideia, você tem que investir com um certo limite, para você não perder exatamente esse timing que é a peça chave.

 

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HB -E mesmo aqui no Brasil, nota-se muito essa diferença Verão e Inverno?

SM – Nota-se principalmente no volume de vendas! É bem significativo. O Verão é mais festa, a coleção é mais longa… o inverno, ele é tachado como uma coleção curta e cara. Para o lojista que trabalha muito com boutique, com roupa, ele acaba por investir muito mais, porque as peças custam muito mais caro! As roupas têm mais tecido, têm que cobrir mais o corpo, tem que aplicar alguma coisa que chame a atenção – que brasileiro tem que chamar sempre atenção (risos) – então tem que aplicar um bordado, uma pedraria, uma pele para dar um charme… E é muito curta! Fica difícil de entregar a tempo a coleção e fica difícil para o lojista girar…

 

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HB – Sílvia, alguma dica especial para as mulheres usarem as bolsas ISLA?

SM – Eu diria que a melhor dica é não se prender a conceitos, não se prender a regras… que eu acho que a moda hoje em dia não tem regras! Se você se sente confortável, use! Se quiser pegar a bolsa que tenha o maior número de brilhos e sair com ela de rasteirinha e vestidinho num dia de sol para ir para o clube, faça-o! Eu acho que o charme está na forma que você usa… sem muita cerimônia com a peça!… Se é uma peça que você gosta, não tem hora: use-a! E é aí que acho que está a personalidade da pessoa. Se gosta tem que usar a toda a hora, tem que curtir!…  Não precisa de salto para usar uma bolsa dessa, de uma roupa glamourosa… A gente viaja, a gente tem os blogs que nos ajudam muito a quebrar esses paradigmas, agora é liberdade!…

 

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A vontade é mesmo trazê-las todas para casa, e usá-las até à exaustão!

 

Mais uma vez agradeço à Silvia Monteiro por me ter recebido com tanta simpatia e abertura! Espero que tenham gostado tanto de ler esta entrevista, como eu de conversar com a designer, de namorar estas peças de arte e de conhecer este espaço requintado e acolhedor!

 

 ENJOY!

 

 

 

 

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2 Comments

  • Inserido julho 26, 2013
    PorLayla da Fonseca

    Olá minha querida Heleninha!
    Nossa, estou babando pelas peças dela, são maravilhosas demais! Amei a entrevista, viu!? Ficou super legal 🙂
    Ah, não se esqueçam de dar uma passadinha lá no blog, porque está rolando a SÉRIE DE SUPER SORTEIOS DE ANIVERSÁRIO!
    Mil beijos, saúde e sucesso sempre. Um final de semana maravilhoso para você!
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