O SLOW DE LIANA

O SLOW DE LIANA

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Liana Fernandes e sua filha Ana, sócias da Liana Atelier

 

Em contracorrente ao consumo desenfreado, algumas marcas, poucas ainda, vão descobrindo uma forma de estar no mundo, na vida, no mundo da moda sem ser de modas… Porque tudo o que chega a extremos cansa, os burburinhos sobre a forma atual dos designers existirem enquanto criadores de roupas, têm sido crescentes. A falta de tempo para respirar, contemplar, curtir e até de descobrir o novo, tem sufocado muitas mentes criativas, e a discussão sobre certo/errado, rumo e futuro têm estado constantemente em cima de uma mesa de discussões e decisões indecisas.

Enquanto isso, vamos descobrindo o prazer do autoral, do slow que desliga o frenético, que nos faz esquecer o calendário, e nos abre portas à entrega de seguir o nosso estilo a gosto, sem edição da temível palavra tempo!! Nunca sem deixar de despertar desejo, porque sem isso… o ser humano não existe!

Liana Atelier é uma dessas marcas. Uma dessas etiquetas que se encontra na calma do tempo, de fazer bem e bonito, sem prazos estipulados, que podem condicionar tanto a criatividade quanto a qualidade de produção.

Como fã incondicional desde a Coleção #1, há uns dias atrás, fui conhecer a Coleção #4, lançada 2 anos e 7 meses depois da primeira, curiosamente numa altura do ano em que a maior parte das lojas se preparam para liquidar.

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Em conversa descontraída, troquei com a designer Liana Fernandes, estilista há mais de 30 anos, sócia de sua filha Ana neste projeto, algumas ideias, conceitos e pensamentos sobre a marca e forma de estar no mercado.

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LIANA parece estar contra a corrente, sem data para lançar novidades, e sem a preocupação de apresentar uma coleção a cada estação. Mas LIANA surgiu precisamente para ter essa liberdade de fazer as coisas. Para juntas – mãe e filha – fazerem o que gostam e como acreditam. Com produtos de qualidade, tecidos naturais, e uma proposta de conforto. “Quase que um lifestyle… de uma certa forma é! Sem determinar inverno, verão… as peças vão acontecendo, elas vão surgindo e vão-se encaixando.”

“Qual a importância de falta de sazonalidade no processo de criação?“… sobre esse assunto, Liana Fernandes confessa que de há uns anos para cá, anda tudo meio louco, com o espaço entre coleções a ficarem cada vez mais curtos… “acho que o fast fashion provocou isso”O processo necessário para você fazer uma roupa… a pesquisa, a criação, etc, para depois ela acabar ali?… eu acho que é uma falta de respeito com o produto, e o trabalho de todo o mundo que está envolvido ali!”

“Será que se as marcas mudarem um pouco o processo, o cliente também muda a forma de estar e pensar na moda, ou é o cliente que provoca isso?”… 

“…acho que tem clientes para todos os lados.”. Mas LIANA acredita no consumo consciente, que prefere uma blusa boa que se vai usar muito e por muito tempo, em vez das dez que acabam rápido. Mais do que a quantidade, a sua preocupação na oferta é a qualidade.

“E como é trabalhar com esse público LIANA, que não sabe quando haverá novidades?… As pessoas perguntam pela nova coleção?..”

“Sim, às vezes as pessoas perguntam quando vamos lançar…  mas estamos criando a clientela. Começamos com os amigos, com as parcerias… Com as lojas pode ser mais complicado. Mas há lojas que se enquadram no nosso conceito, como a CASA 89, por exemplo. Ela não tem que liquidar em Junho… e a nossa roupa se encaixa em qualquer coleção…”

 

Sobre se “num futuro próximo haverá necessidade de se repensar no processo, ou se haverá espaço para as duas formas de estar na moda”... a resposta passa pela certeza de que sim, terá que se repensar sim! 

“mas acho que tem espaço para todos. Cada um vai ter que encontrar o seu… acho que num futuro próximo, ou num futuro bem próximo, é de as pessoas repensarem mesmo. Cada um pensar mais em si, pensarem como querem estar. Fazerem o seu próprio estilo, ser. Os estilos vão ser todos! Um de cada um!”

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Acrescentando agora a minha opinião pessoal (Helena), nunca discutida com ninguém, vejo neste processo também uma forma mais sustentável de estar no mercado, tendendo a reduzir o desperdício: de produção, de esforços e energias humanas (físicas e emocionais).

E vocês?… Em que perfil se enquadram?… Preparados para viver num modo mais slow e consciente?…

ENJOY YOURSELF!

HelenaB

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