BRASIL ECO FASHION WEEK: EVENTO

Terminou ontem a 3ª Edição da Brasil Eco Fashion Week, evento que reúniu durante três dias, marcas focadas na sustentabilidade – cada uma à sua maneira – em showroom para vendas, desfiles e workshops para formar, informar e debater ideias.

Foi a minha primeira participação no evento, e apesar de só ter passado na segunda de tarde (18), deu para sentir a força, necessidade e propósito do acontecimento.

Já nem precisamos dizer o quanto a sustentabilidade não está na moda: é simplesmente uma urgência necessária à sobrevivência humana. E não querendo parecer muito dramática, há que dizer em boa consciência, que já não há fuga possível às novas práticas de consumir e fazer moda. Por pequenos passos que sejam, todos eles são necessários e urgentes.

Confesso que tenho muito a aprender sobre a verdadeira sustentabilidade, e tenho muito também a me educar. Sou uma consumidora nata, e sinto que cheguei à encruzilhada em que tenho que equilibrar esta minha necessidade de me expressar através das roupas, por me sentir bem na minha pele, por conseguir tudo o que as roupas fazem por nós (vestir é um ato natural à existência humana, com muitos significados subentendidos), mas fazê-lo de uma forma respeitosa para com o mundo a para comigo mesma. Acredito que aos poucos se vai trilhando o caminho, em equilíbrio. 

Tenho muito que aprender sobre o que é realmente sustentável, sabendo já à partida que não há soluções milagrosas, e que todas elas têm o seu impacto sobre o planeta. E que muitas que nos são apresentadas como sustentáveis, acabam por ser colocadas em questão depois de analisadas a fundo (como o caso do algodão orgânico, que pode causar mais impacto do que o algodão normal.aqui).

Acredito que as empresas que procuram novos caminhos, aos poucos, entres erros e acertos vão encontrando a sua melhor forma de serem sustentáveis. Que aos poucos vão evoluindo e chegando a um melhor porto. Seja pelo desperdício zero (dentro do possível), pelo uso de matérias primas de menor impacto, pelas reciclagens, por serem marcas locais, por usarem fibras de reflorestamento, pelo tingimento natural, pelos eco-prints. Pelas embalagens, ou por uma cadeia controlada de respeito. Tudo é um bom começo para um bom fim.

 

Marca Comas (@comas_sp) que reaproveita camisas maculinas para fazer up cycling, assim como aproveita a ourela dos tecidos para fazer roupas, como esta camisa, que resulta num efeito de franjas

Estou aqui para aprender, e para partilhar com vocês, de uma maneira natural e despretensiosa, o que vou ficando a saber sobre o assunto. Começando pelo que absorvi na minha rápida passagem pelo Brasil Eco Fashion Week. Que apesar de flash, foi muito válida.

Um evento que precisa ser apoiado e ganhar dimensão (sem perder a noção do baixo impacto). Que precisa ganhar espaço: tanto físico quanto nas mídias. Que merece todo o nosso respeito e apoio, para deixar de ser um evento “alternativo” e ganhar um papel principal. Sem deixar contudo de ser uma plataforma para expor pequenas marcas que fazem a diferença. (a grandiosidade do pequeno).

Nota final: Fiquei muito surpreendida ao ver os desfiles serem patrocinados pela Renner, a aparecer em grande vídeo publicitário. Uma das maiores cadeias de fast fashion do Brasil. O que mantém duas questões em aberto: por um lado, a necessidade que as macas de fast fashion estão a sentir a nivel de marketing de participar e se mostrarem interessadas no assunto, querendo dizer que querem fazer parte da solução, e por outro, que ainda não há marcas de pegada ecológica e sustentável capazes de apoiar e patrocinar este tipo de eventos. A sustentabilidade a precisar do fast fashion para se mostrar ao mundo e crescer!

Aguardem os próximos capítulos com as marcas que conheci e os seus propósitos.

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