NO UNIVERSO LOUNGEWEAR COM CHRIS GONTIJO

NO UNIVERSO LOUNGEWEAR COM CHRIS GONTIJO

 

 

Já com o próximo Minas Trend à vista, desta vez sem Ready To Go (concurso de novos talentos promovido pelo Sindivest-MG e organizado pelo TS Studio, que decorria durante o evento), conversei com Chris Gontijo, nome querido entre o universo feminino de Belo Horizonte, vencedora do concurso na última edição (a par com a Meniax). Mesmo estando no mercado há cerca de 12 anos, Chris Gontijo iniciou há pouco a sua aposta no atacado, assim como num novo tipo de produto. Motivos pelos quais participou do concurso. 

Entrei no seu universo de loungwear, a que podemos acrescentar “couture”, onde ousei fazer algumas escolhas no meio de tantos “doces”, que transformo aqui em sugestões. Descobri também a mulher de fibra que lidera a etiqueta, que mais do que não ter medo do desafio do novo, na verdade, o procura!

Chris Gontijo

 

Helena Branquinho (HB) – Foi vencedora do Ready To Go (RTG) em Abril. Qual foi a importância de ter ganho essa edição? O que mudou desde então?

Chris Gontijo (CG) – Foi um facto muito marcante na empresa! Primeiro porque a maturidade da empresa era no varejo, não tínhamos nenhum trabalho no atacado, e o RTG abriu as portas para uma nova fase da empresa: o atacado. Qual foi a importância desse prêmio? Claro que o facto de termos ganho o stand para a próxima edição, que será uma grande valia, mas também a visibilidade! Que foi muito boa! Isso também me despertou para a necessidade do crescimento da equipe. A equipe cresceu, nós treinamos e capacitamos todos os nossos profissionais! Fizemos cursos pela FIEMG, e nos capacitamos para a exportação, que era uma coisa que a gente já desejava antes. Então o RTG foi o pontapé inicial para esse pulo, que eu chamo de crescimento, da maturidade no atacado.

Robe Chris Gontijo. Use o robe como se um casaco fosse…

 

“Aqui não há um produto mais ou menos, isso não entra na minha arara. Garanto que é um produto de alta qualidade.”

HB – Qual acha que foi o grande diferencial da sua marca em relação aos outros concorrentes presentes?

CG – Houve coisas que foram muito importantes! Muito importantes, mesmo! Eu acho que ficou muito claro – que quando a gente ganha primeiro lugar não é à toa – mas uma coisa que ficou muito clara, foi como que a nossa empresa foi preparada! Nós fomos com todo o material produzido em altíssima qualidade, com modelos profissionais, com fotógrafos profissionais, nossos produtos estavam impecáveis, todos os produtos que estavam na arara já foram antes vistoriados pela modelagem, estavam prontos para a venda, não eram produtos que estavam ali só pela estética. Tanto para o mercado interno como para o mercado externo. Tínhamos já tabelas em dólares, em euros, já fomos com peças em QR CODE, em que as pessoas chegavam, scaneavam e já tinham o produto no telefone para fazer o pedido… a equipe se preparou muito!

Para além disso, há outros aspectos importantes! Primeiro, o nosso produto é um produto inovador no Brasil. O loungewear não é um produto ainda divulgado no Brasil. Lá fora é, aqui não. Desconheço hoje no Brasil produtos similares.  Os nossos produtos são de altíssima qualidade, a nossa matéria prima é de primeiríssima qualidade, é muito handmade… temos bordado feito à mão, a matriz da nossa estampa é feita à mão, são produtos muito elaborados! Além da qualidade do produto, a nossa pesquisa de mercado é muito grande. O nosso acabamento e a modelagem são ímpares. Aqui não há um produto mais ou menos, isso não entra na minha arara. Garanto que é um produto de alta qualidade.

 

 

 

HB – Porquê esse produto? A lingerie e o loungewear? De ode veio essa ideia?…

CG – É muito interessante a história de como tudo começou… Há 15 anos atrás eu era importadora de bicho de pelúcia. Até que um amigo meu foi a uma loja de lingerie lá fora e ficou encantado com o que viu! Era algo bem diferente, com um conceito novo: lingerie sensual, de luxo, vendida dentro de um prédio, numa sala! Ele comentou comigo que era a minha cara, que eu deveria conhecer! Na hora eu falei “De jeito nenhum! Não vou mexer com isso nunca!”. Mas de curiosidade, fui conhecer…  e apaixonei! Entrei na loja e falei “É isso que eu quero para mim!”. Em 40 dias eu montei minha loja! Na altura como multimarcas. Depois de um ano eu pensei: “o que é que vai fazer um cliente vir dentro de uma sala, num prédio, comprar uma lingerie que ele pode comprar na comodidade de um shopping? Não vai dar certo isso!”.  E comecei a produzir. Comecei produzindo calcinhas! O negócio foi crescendo… e foi um “boom”! Foi um boom porque comecei a fazer realmente um produto diferenciado! Esse foi o pulo do gato! Depois de 11 anos no varejo fazendo isso, resolvi ir para o atacado! Mas pensei “O atacado de lingerie… o mercado está fortíssimo! O que é que vou fazer de diferente?”.  E comecei a pesquisar… e nesse algo de diferente apareceu o loungewear, que é uma pegada nova.

 

“Então eu estou apostando em ser a pioneira do produto!”

HB – Quais são os principais desafios nesse tipo de produto?

CG – A cultura brasileira! Essa é o desafio número um! A cultura brasileira! É interessantíssimo eu ir a um evento com uma peça minha (porque eu uso muito a roupa…) e uma pessoa me falar “Cris, que vestido lindo! De onde é que é?”. E eu falo “Não é um vestido, é uma camisola!”. E a pessoa responde “Nossa! Eu jamais usaria!”. Quando você usa a palavra camisola e pijama a pessoa fala “eu jamais usaria”, sendo que ela usaria se usasse outro nome… então é a questão cultural mesmo!

Há um exemplo muito interessante, que aconteceu comigo e que eu nuca vou esquecer, que aconteceu em 1992. Em Agosto viajei e comprei um tênis conga, com salto. Todo o mundo achou aquele tênis o fim! A coisa mais horrorosa!! Até que em Dezembro desse ano Adriane Galisteu saiu na capa da Caras com um tênis igualzinho, e todo o mundo começou a usar. Hoje eu enfrento um pouco essa questão cultural do “ainda não começou a usar”, mas na hora que começar, eu fui a primeira, a pioneira. Então eu estou apostando em ser a pioneira do produto!

Camisola de renda Chris Gontijo. Com jeans para um jantar, um evento de fim de tarde…

HB – Quais são as suas principais inspirações, pensa em algum tipo de mulher quando cria?

CG – Penso sim. Primeiro penso nessa mulher que trabalha, que gosta de conforto, que se dá ao direito de peças boas. Tanto é que o meu público está na mulher entre os 35 e os 75 anos. Porquê essa faixa? Porque são mulheres que já trabalham, sabem apreciar o bom, dão valor a um diferencial como é o meu produto. Essa mulher quer conforto e beleza, e ela se dá ao direito disso!

 

“Hoje eu vejo a lingerie como um poder de sedução enorme! Mas não é sedução do outro, é dela própria.”

HB – O que mudou no mundo feminino, e consequentemente na lingerie, desde que a marca nasceu?

CG – Mudou muito! Absurdamente! Hoje eu vejo a lingerie de uma forma completamente diferente! Antes achava que lingerie era bobagem! Sutiã era para segurar o peito, calcinha para tampar o bumbum…. Hoje eu vejo a lingerie como um poder de sedução enorme! Mas não é sedução do outro, é dela própria. Ninguém está vendo o sutiã nem a calcinha que você está usando, mas se você usar um sutiã e uma calcinha que te fazem sentir bem, o seu astral muda! Esse poder é maravilhoso! Eu tinha a cultura de que para ser bonito tinha que incomodar, mas não é nada disso! A minha visão mudou completamente!

 

HB – E na vida das suas clientes, o que mudou que as leve a pensar no produto de uma forma diferente?

CG – Falar da roupa que você está usando é fácil, mas ninguém mostra nem fala sobre a sua lingerie. Ninguém pergunta o que você está usando por baixo… Então é difícil divulgar um produto que ninguém vê. Mas eu tenho clientes que usam, volta, e indicam a marca! Eu vejo que foi um produto que abriu portas para a mulher falar mais, tanto dela, quanto dessa questão de sedução. E é fantástico eu ver pessoas que cresceram e tiveram uma alta estima elevada por causa do produto.

 

 

Pijama Chris Gontijo. Perfeito para um evento, ou para usar na rua.

 

HB – A marca está focada também na exportação. O que a mulher estrangeira tem de diferente da mulher brasileira? Ela tem uma relação diferente com a lingerie, consome de uma forma diferente? Consegue notar essa diferença?

CG – Consigo! Queiramos ou não, as mulheres estrangeiras têm uma facilidade com o produto de luxo, o produto mais sofisticado. Vamos falar por exemplo da Europa. Nas capitais da Europa, as mulheres conhecem as grandes marcas. Elas têm acesso, mesmo que não consumam. Passam na vitrine, sabem quanto o que aquilo custa… têm um conhecimento do produto! Aqui, nem todas têm esse acesso. Então é muito maior o meu público lá fora do que aqui. Porque uma vez que eu mostro o meu produto com a qualidade que eu tenho lá fora, o meu preço é excelente, comparado com quem eu realmente deva competir, que são os produtos de altíssima qualidade. No Brasil, como não tem produtos tão similares – não estou falando que não temos produtos de qualidade, não é isso, estou falando do loungewear, e não temos um lougwear para ter uma competição, digamos assim – então às vezes as consumidoras não têm essa referência de preço. O que é um dificultador! É caro? É barato?…  A mulher estrangeira vê o meu produto de três formas que são facilitadoras para mim: primeiro a questão do preço que é muito bom, segundo que é um produto diferenciado, terceiro ela sabe que é um produto que vai usar na rua. Então realmente o meu público lá fora é muito forte.

 

“Essa camisola foi comprada pela Donatella Versace! Realmente é uma peça muito especial…”

 

HB – E a sua peça de lingerie preferida?… Nos conta…

CG – Eu tenho os meus xodós. Depois toda a coleção inteira vira um xodó (risos)… Mas tem duas coisas que foram muito marcantes para mim! A primeira é um sutiã, porque eu tinha muita dificuldade em encontrar um sutiã para mim! Então achei que se fazia lingerie, tinha que fazer um, que fosse muito bom, para mim! Como eu tinha o peito grande, não podia ser com bojo porque ficava enorme, como já tinha amamentado muito, (e já tinha caído sim com a força da gravidade!), não podia ser sem bojo que ficava caído… então era complicado! Mas consegui desenvolver um sutiã com um tecido que se chama manta. A manta é uma proteção, e o sutiã sustenta sem dar volume. Os meus sutiãs têm esse grande diferencial. E é tudo feito à mão, cortado à mão… a modelagem dele é inacreditável! Descobri também depois, que de acordo com o corte nesse bojo, mudava o formato do busto. Porque o que importa na hora de escolher o sutiã não é o tamanho. Isso de tamanho padronizado não existe! O que conta é o formato do peito. E eu fiz cortes no bojo para modelar o formato do peito.

Um outro xodó é uma camisola que tem uma história de muita emoção… tem uma camisola que eu amo especificamente em que eu coloquei o nome da minha mãe, que é um grande amor da minha vida. Essa camisola foi comprada pela Donatella Versace! Realmente é uma peça muito especial… Foi em Nova Iorque uma vez que eu estava lá fazendo um catálogo… comprou a camisola e um pijama da minha coleção! E esse pijama, é um pijama que eu falo que vai ser o meu eterno! Eu mudo o tecido, a cor, o detalhe, mas essa modelagem, ela é realmente perfeita!

Camisola de renda Chris Gontijo versão dia (dia a dia).

 

HB – Próximos planos?

CG – Crescer cada vez mais sem deslumbrar! (risos)

 

 

Camisola de renda Chris Gontijo, versão noite e festa.

 

HB – Alguma mensagem que queira passar?

CG –  Sim, quero sim! Arrisquem! Sejam arrojadas! Experimentem, porque quando experimenta apaixona, acredita, vai amar e vai usar!

 

ENJOY YOURSELF!

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